Foto: Timothy Greenfield-Sanders

A literatura perdeu uma gigante. 

Toni Morrison morreu nesta segunda-feira aos 88 anos de idade. Sua obra, porém, continuará influenciando gerações de leitores, especialmente aqueles que veem a literatura como uma ponte para a descoberta e o conhecimento mais profundo, para uma viagem transformadora do mundo. Uma literatura que escorre entre palavras e entre linhas, para muito além da palavras e das linhas.

E Morrison encarnou essa missão como poucos outros. A pequena Chloe Anthony (Ardelia) Wolford gostava de ler, crescia e encontrava nos livros as respostas que buscava. Tinha pouca identificação com aquele mundo branco de matriz europeia, em que nada parecia dizer-lhe respeito. Perguntava-se onde estariam as histórias e as narrativas de pessoas como as que conhecia, que explicassem um pouco de seu próprio mundo, de seus desejos.

Assim nascia a escritora Toni Morrison (adotou o sobrenome do marido), do celebrado “O Olho mais azul” – publicado em 1970, quando já tinha 39 anos de idade –, que se dera como missão dizer aquilo que não encontrava nos livros que lia, e que trazia consigo uma literatura renovada, sem adornos, sem empolação, uma literatura não branca, original e disruptiva, que atingisse a todos, mas sua gente sobretudo, aquela de pele escura, filhos dos escravizados do Novo Mundo.

Personagens fortes, mulheres negras fortes, narrativa que se alterna desde vários pontos de vista, a autora de “Amada”, de 1987, ganhador do prêmio Pulitzer, acabou por ser laureada com o prêmio Nobel, em 1993. Foi a primeira mulher negra a conquistar o prêmio, o que, vamos combinar, diz mais sobre os problemas de escolha do prêmio do que sobre um talento sobrenatural da autora!

Dela, pode-se ler também “Song of Solomon” (1977), “Jazz” (1992), “Paraíso” (1977), “Voltar para casa” (2012), “Deus ajude essa criança” (2015), entre muitos outros de uma carreira multipremiada dedicada não só à escrita, que incluía literatura infantil e teatro, mas também a apresentar ao grande público a literatura negra contemporânea como editora da Random House – primeira editora-senior da companhia na área de ficção –, com autores como Wole Soyinka, Angela Davis e Gayl Jones, entre muitos outros, e à academia, como professora-emérita da Universidade Princeton, nos Estados Unidos.

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