Descrito pelo TED Talks como “um dos jovens pensadores europeus mais proeminentes”, o holandês Rutger Bregman chega para os associados da Panaceia por meio de seu livro “Utopia para realistas: Como construir um mundo melhor” (Sextante).

Nessa leitura indicada pelo nosso curador da Edição 18, o ator e escritor Gregório Duvivier, somos levados a confrontar inúmeros exemplos e estudos acadêmicos que provam o que até então parecia improvável: a possibilidade real de desejarmos utopias (e vê-las acontecer!).

O prodígio

Nascido na Holanda em 1988, Rutger Bregman tem apenas 31 anos e é um dos historiadores mais famosos do momento. Apesar de ter se formado e feito o mestrado em História pela Universidade de Utrecht, ele não seguiu a carreira acadêmica, preferindo escrever suas ideias em livros e jornais. The Correspondent, The Washington Post, The Guardian e a BBC são alguns deles. 

Bregman já foi indicado duas vezes para o European Press Prize, prestigiada agremiação de imprensa, mas foram seus livros e palestras que o levaram a um novo patamar. “Utopia para realistas” já chegou em mais de 20 países e sua palestra no TED Talks tem mais de 800 mil visualizações! 

Aprendendo com o passado, olhando o presente

Segundo Bregman, o mundo contemporâneo é muito melhor que o do passado. A fome, a pobreza, as mortes e as guerras foram reduzidas drasticamente e, se perguntássemos para alguém do século XIX o que ela acha de hoje, ela provavelmente diria que não há dúvidas de que vivemos o sonho.

Com comida disponível a qualquer momento, avanços tecnológicos que fazem milagres, tratamento médico de ponta e casas com refrigeração ou aquecimento fácil, essa pessoa do passado pensaria que vivemos num lugar mágico, pois nada disso era imaginado ser possível antes. Realidades como a nossa eram um sonho longínquo. Na Idade Média, por exemplo, havia a Cocanha, um país mitológico onde tudo era permitido e disponível, gozando de uma abundância enorme.

“O italiano médio é 15 vezes mais rico que em 1880. E a economia global? Agora é 250 vezes maior do que era antes da Revolução Industrial – quando quase todos, em todo lugar, ainda eram pobres, famintos, sujos, aterrorizados, estúpidos, doentes e feios”, escreve Rutger no prefácio do livro.  

Mas então porque não estamos satisfeitos? 

Bem… A resposta envolve muitos fatores, mas há alguns que todos conhecem: trabalhamos cada vez mais, temos empregos cada vez menos relevantes, tememos a inteligência artificial  e os impostos não param de crescer, assim como o desemprego, o neoliberalismo, o consumismo e o lixo da indústria alimentícia.

Todas essas coisas nos atormentam e são problemas reais. Mas Rutger explica a principal delas para nós: “Não conseguimos ter ideia de como seria um mundo melhor.”

Utopia para realistas

Ao reivindicar a utopia em tempos tão distópicos, Rutger acabou por se tornar uma celebridade mundial. O jornal The Guardian o tem como “o prodígio holandês das novas ideias”. Com um toque de humor e muito embasamento, o jovem historiador reconhece esse paradoxo da riqueza contemporânea e a falta de utopia, mas acredita que podemos fazer algo mais delas se pensarmos de outra forma.

Isso porque nós já temos o que é preciso para alcançar uma renda básica universal, uma jornada de trabalho de 15h, a flexibilização das fronteiras, a criação de casas para todos e outras ideias aparentemente absurdas. Assim como no passado o fim da escravidão e o direito das mulheres pareciam ser conquistas inimagináveis, mas que acabaram se concretizando, Rutger demonstra que nós também temos chance de ver algumas utopias se realizando ainda neste século. Contudo, é preciso alimentá-las.

“As utopias não oferecem respostas prontas, muito menos soluções. Mas elas, de fato, fazem as perguntas certas.” | Rutger Bregman

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