Indicado pela cantora Daniela Mercury, nossa curadora da Edição 19, os associados receberam o livro “E se Obama fosse africano?” do moçambicano Mia Couto no kit de agosto. A obra traz palestras – ou “interinvenções”, como ele as define – que o escritor realizou pelo mundo com reflexões sobre a África contemporânea.

O olhar crítico e o estilo poético de Mia Couto se misturam criando ensaios onde temas espinhosos são tratados com grande sensibilidade. Guerras, corrupção e autoritarismo dividem espaço com a tradição oral, a cultura local e os intercâmbios poéticos com outras culturas.

Neste post você conhece mais sobre a vida de Mia e sua carreira como escritor. E, para aprofundar, você também encontra alguns livros de romance e de contos assinados por ele, além de dicas de leitura complementar.

Mia Couto

Mia Couto nasceu em 1955, na Beira, em Moçambique. Filho de um poeta em uma família de emigrantes portugueses, o menino Antônio Emílio Leite Couto iniciou sua trajetória literária aos 14 anos, quando publicou seus primeiros poemas no jornal Notícias da Beira.

Em 1974, com o processo de independência de Moçambique, Mia começou a escrever para jornais, mas não continuou na carreira. Em 1985 ele deixa os periódicos  para cursar Biologia na Universidade de Eduardo Mondlane.

Como especialista em ecologia, leciona na mesma universidade e produz pesquisa em diversas áreas, com ênfase na gestão de zonas costeiras e no levantamento de mitos, lendas e crenças que intervêm na gestão tradicional dos recursos naturais. Em 1992, foi o responsável pela preservação da reserva natural da Ilha de Inhaca e, atualmente, dirige a Impacto, empresa de avaliação de impacto ambiental.

Leitura Obrigatória

Autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia, Mia Couto tem sua obra traduzida em 24 países e adaptada para o teatro e o cinema além de ocupar 5ª cadeira da Academia Brasileira de Letras .

Dentre seus escritos, destacam-se os títulos “Terra Sonambula” (1992) (considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX), “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra” (2002), “O fio das missangas” (2003)  e “Mulheres de cinza” (2015).

Seu apreço e especial cuidado pela língua portuguesa fazem de Mia Couto um excelente contador de histórias. Usando de uma linguagem poética em sua prosa, rica também em neologismos, o autor sempre procura retratar a natureza fantástica do mundo, a relação íntima da humanidade com a terra e a virtude onírica e empática das narrativas.

Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Vergílio Ferreira, em 1999; o União Latina de Literaturas Românicas, em 2007; o Neustadt Prize, em 2014; e, em 2013, o ; Camões – o mais prestigioso da língua portuguesa.

Leitura Complementar

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