O curador da Edição 23 da Panaceia vem acompanhado do peso e da força de nossos ancestrais: Ailton Alves Lacerda Krenak.

Líder indígena, ambientalista e escritor, nascido em 1953, Krenak tem dedicado sua vida à luta pelos direitos do índio, amplificando sua voz e fazendo-se ouvir. Mas o mesmo homem que ganhou a tribuna da Assembleia Nacional Constituinte, em 1987, e pintou o rosto com tinta de jenipapo enquanto protestava contra o retrocesso na luta pelos direitos dos índios brasileiros, foi o que viu o território dos índios Krenak sem violentamente atingido, em 2015, pelo rompimento da barragem de Mariana que fez o Rio Doce inundar por conta dos detritos.

Sua indicação de leitura para o clube não poderia ser outra, senão “Direitos da Natureza”, de Eduardo Gudynas. Longe de um debate simplista sobre a preservação da natureza, a obra do pesquisador e ambientalista uruguaio lança lux sobre a importância dos valores intrínsecos à Natureza, como a biodiversidade, a cultura dos povos, a saúde da terra. Conheça mais sobre a vida e o importante trabalho realizado por Gudynas a seguir.

SOBRE O AUTOR

Eduardo Gudynas nasceu em Montevidéu, no Uruguai, em 1960. Pesquisador e ambientalista vinculado ao Centro Latino Americano de Ecologia Social (CLAES), graduou-se na Faculdade de Medicina da Universidade da República (UDeLaR) de Montevidéu, e tornou-se mestre em Ecologia Social na Multiversidade Franciscana da América Latina, na mesma cidade.

Em Roma, na Itália, defendeu mestrado na Pontifícia Faculdade de San Buenaventura, com uma tese sobre o movimento ambiental na América Latina. Em seu trabalho de pesquisa, analisa estratégias de desenvolvimento sustentável na América Latina, com ênfase na defesa da conservação da natureza, estudando a situação das áreas rurais e a compreensão dos limites e possibilidades oferecidos pela integração regional e globalização, para alcançar a sustentabilidade ambiental.

Gudynas é membro Duggan do Natural Resources Defense Council, dos Estados Unidos, onde foi pesquisador visitante da National Wildlife Federation. Participou como especialista no Programa Local de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia da Fundação Friedrich Ebert nos seis países que compõem a bacia amazônica. Coordenou a seção latino-americana dos relatórios sobre o estado do ambiente global, Global Environmental Outlook, para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em diversas edições. É coordenador da Rede Latino-Americana e do Caribe em Ecologia Social.

Além disso, Gudynas já lecionou como professor visitante em diversas universidades na América Latina. Entre elas, destacam-se a Universidade San Andrés, em La Paz (Bolívia), Universidade Nacional F. Villarreal, em Lima (Peru), Centro de Estudos Avançados da Universidade de Buenos Aires (Argentina), a Universidade Hurtado de Santiago (Chile), a Universidade de Campinas (Brasil) e a Universidade Andina com sede em Quito (Equador). Também foi professor na Universidade da Geórgia (EUA), Wirtschaftsuniversität Wien (Áustria), College of the Atlantic (EUA) e a Universidade da Carolina do Norte (EUA). Gudynas trabalhou como consultor e pesquisador em várias agências internacionais, como a Gesellschaft fur Technische Zusammenarbeit-GTZ, o Departamento de Meio Ambiente do Banco Mundial, a Agência Espanhola de Cooperação Internacional e o Centro de Informações Bancárias-BIC, em Washington.

Em 2016, foi o primeiro latino-americano a receber a Cátedra Arne Naess em Justiça Global e Meio Ambiente, oferecida pela Universidade de Oslo e foi apresentado como um dos 75 pensadores-chave sobre o desenvolvimento de acordo com o guia Key Thinkers On Development (Routledge, 2019). É colaborador periódico em veículos de imprensa latino-americanos, e envolveu-se ativamente nos debates ocorridos durante a Assembleia Constituinte do Equador, em 2017. É autor de livros como “Extractivismos: ecología, economía y política de un modo de entender el desarrollo y la naturaliza” e “Extractivismos y corrupción: anatomía de una íntima relación”, ainda não publicados no Brasil.

 

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