Na Edição 20 da Panaceia, temos a honra de anunciar que quem assume a curadoria é o filósofo Vladimir Safatle! Com uma produção vasta de livros, palestras e colunas em jornais, Vladimir é um dos intelectuais mais proeminentes hoje no Brasil. Ele vem ao clube indicar a próxima a leitura, que você garante associando-se aqui até 20 de setembro.

O texto abaixo traz algumas informações sobre o nosso próximo curador e indicações de obras para conhecer melhor sua trajetória enquanto pensador.

Incorporando o Brasil

Apesar de se debruçar com muito interesse sobre a política e a sociedade brasileira, Vladimir Safatle, na verdade, nasceu no Chile, em 1973. Seu pai era ex-guerrilheiro da Aliança Libertadora Nacional e, com a ascensão de Pinochet, trouxe a família para o Brasil. Safatle tinha poucos meses de vida quando chegaram em Brasília, onde ficaram por quase uma década antes de irem para Goiás, quando seu pai assumiu o cargo de Secretário do Planejamento no governo do estado.

A chegada no Brasil em plena ditadura também corroborou para o trajeto do filósofo. A adolescência na década de 1980 o aproximou da rebeldia sintomática da época, principalmente pelo fato dele ser muito ligado à música. Safatle toca piano clássico, mas se nutriu também da onda oposicionista e melancólica que capturou o cenário musical brasileiro. Era o período de reconstrução do país e operavam, simultaneamente, forças de modernização e formas de sofrimento social. Esse jogo de antagonismos iria marcar o trajeto acadêmico por vir de Safatle.

O Intelectual

Já na década de 1990, Vladimir muda-se para São Paulo para começar os estudos universitários. Mas a vida dedicada à filosofia não começa de imediato. Ele entra primeiro no marketing e na propaganda e, pouco depois, no curso de Filosofia, ambos na USP, chegando a concluí-los em 1994. Em sua entrevista com Antônio Abujamra, apresentador do clássico programa Provocações, Safatle comenta que, enquanto publicitário, atuou pouco, fazendo apenas algumas campanhas para empresas de automóveis, como a General Motors.

No bate-papo em 2013, o filósofo também apresenta algumas de suas perspectivas, talvez os principais eixos que seu trabalho gire em torno ainda hoje: filosofia política, estética musical e psicanálise. Vale a pena assistir!

Contudo, para chegar até ali, Vladimir passou por uma formação robusta, com títulos nacionais e internacionais:

1 – Em 1997, conclui seu mestrado orientado pelo Prof. Bento Prado Jr., e defende a dissertação “O amor pela superfície: Jacques Lacan e o aparecimento do sujeito descentrado”.

2 – Depois, segue para o doutorado na Europa. Na Universidade de Paris VIII, na França, em 2002, defende sua tese que depois deu origem ao livro A Paixão do Negativo: Lacan e a dialética“. 

3 – Em 2003, passa então a integrar o corpo de professores na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo, onde leciona desde então, ocupando a cadeira de Teoria das Ciências Humanas. Sua produção acadêmica volta-se, sobretudo, para a interpretação da tradição dialética hegeliana e a psicanálise lacaniana.

4 – Defende sua tese de livre-docência em 2009 e é aprovado. Nesse meio tempo, é professor visitante em várias universidades, tal como na Califórnia, Paris, Toulouse, Louvain, Stellenbosch e Essex. Vladimir também foi porta-voz de alguns teóricos no Brasil e assinou a introdução da tradução brasileira de filósofos como Slavoj Žižek, Alain Badiou e Judith Butler.

Multi-facetado

Além de ser autor de uma série de livros, dos quais destacam-se “Grande hotel abismo” (2012), “A esquerda que não teme dizer seu nome” (2012), “O circuito dos Afetos” (2015) e o mais recente  “Dar corpo ao impossível” (2019) – todos que você encontra no final desse texto -, Safatle também é um grande contribuinte para jornais e programas de televisão, tendo, também, se aproximado da política, embora a candidatura pelo PSOL para ocupar o Governo do Estado de São Paulo em 2013 não tenha ido pra frente.

De 2010 a 2019, ele assinou uma coluna semanal no jornal Folha de S. Paulo, na qual analisava diversas questões, sempre com um olhar erudito e amplificador. Unindo a psicanálise à teoria política, sua escrita traz maneiras elaboradas de relacionar-se e de pensar o contemporâneo. Safatle também levou isso para a televisão e foi apresentador do Jornal da Cultura na emissora TV Cultura por cerca de quatro anos. Atualmente, o filósofo escreve no jornal El País.

Como compositor, Vladimir Safatle  compôs as trilhas sonoras das peças Leite Derramado e Caesar, ambas de Roberto Alvim. Pela última, recebeu o Prêmio Aplauso em 2015 por Melhor Trilha Sonora Original. E em 2019, lançou o álbum “Músicas de Superfície” em parceria com a cantora Fabiana Lian no qual reproduzem peças para piano e voz compostas juntos na década de 1990.

Conheça alguns dos livros do filósofo

“Grande Hotel Abismo”

“A Esquerda que não Teme Dizer Seu Nome”

“O circuito dos afetos: Corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo”

“Dar corpo ao impossível: O sentido da dialética a partir de Theodor Adorno”

 

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