Com dezenove CDs gravados e mais de trinta anos de carreira, a cantora Daniela Mercury é a curadora da vez na Panaceia! Ela vem para indicar a leitura da Edição 19, que recebe novas associações até 20 de agosto.

O clube leva para você uma forma de compartilhar visões de mundo atuais com personalidades da cultura, e nada melhor para isso do que por meio de livros, não é? Além do mais, você recebe o nosso material exclusivo, com textos complementares para adentrar a obra com o pé direito abrindo outras perspectivas. Por isso, já adiantamos: Daniela Mercury é a pessoa certa.

Sobre a curadora

A baiana tem muito a dizer. Foram vários carnavais assinados pelo seu carisma e entusiasmo que veem, na cultural, um remédio para os males da sociedade. Porque, ao reunir  milhares de pessoas ao entorno da música, Daniela Mercury consegue comunicar o valor de coexistir, de pertencer a um local e de cultivar a tolerância – ideais fundamentais para a liberdade individual – num nível amplo, legível para vários públicos. Assim, a artista se faz presente e atenta, tornando-se uma irradiadora de novas formas de ser.

Mas tudo tem um começo e o de Daniela não foi diferente: ela começou bem longe de ser o que é hoje, embora sempre tenha entrado nos projetos acreditando neles. E deu certo!

Daniela no carnaval de Salvador. Foto: Inacio Teixeira/Agecom

Nascida em 1965 na cidade de Salvador, Daniela começou ainda criança sua carreira artística, tomando aulas de balé com 8 anos. Mais tarde, aos 19 anos e já professora de dança, engravidou do primeiro filho Gabriel e, pouco mais de um ano depois, da filha Giovana. Jovem e com dois filhos, Daniela precisou complementar a renda e o mundo da música parecia ter lugar para ela.

Desde a adolescência, a cantora se apresentava nos bares da capital baiana, mas não profissionalmente.  Então, entre 1986 e 1988, ela entra como backing vocal da Banda Eva, que se apresentava todos os dias de carnaval, e do cantor Gilberto Gil. A carreira solo, porém, vai convidando-a aos poucos. Forma seu primeiro grupo: o Companhia Clic, que estoura com os compactos “Pega Que Oh!” e “Ilha das Bananas”.

Quando o grupo encerra, em 1990, lança seu primeiro projeto solo “Swing da Cor” e o hit homônimo emplaca o primeiro lugar nas rádios da Bahia. “Menino do Pelô”, em parceria com o Olodum, também foi outra música de sucesso do álbum.

Pouco depois, seu talento como cantora, compositora e dançarina viria a estourar no Sudeste. Daniela conseguiu atrair mais de 20 mil pessoas para suas apresentações no programa Bem Brasil realizado USP e no vão do MASP  (Museu de Arte de São Paulo) num show aberto que paralisou a Av. Paulista. Seu talento atrai grandes gravadoras, então, em 1992, ela grava o álbum “O Canto dessa Cidade” com a Sony. O trabalho rendeu à artista o disco de diamante por 1 milhão de cópias vendidas e, em 1993, alçou Daniela a outro patamar da música colocando-a no prestigiado Festival de Jazz de Montreux, na Suíça.

Ainda na década de 1990, Daniela gravou um jingle com Ray Charles, outros grandes álbuns, dentre eles, o “Feijão com arroz”, e criou o Circuito Dodô, ligando as praias da Barra e Ondina, em Salvador. Neste percurso que, até hoje, é referência no carnaval da cidade, a cantora também criou o Camarote Daniela Mercury, no qual grande parte da imprensa e VIPs se juntam para acompanhar a festa.

Na carreira da artista, parcerias não faltaram. Ela foi convidada para representar o Brasil na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, onde cantou com Paul McCartney e, em seu DVD “Carnaval Eletrônico”, foram convidados diversos nomes da música, dentre eles Lenine, Carlinhos Brown e Gilberto Gil. Seu trabalho com diversos gêneros musicais como samba-raggae, eletrônico, rap, funk e lounge a colocam como uma das principais difusoras da riqueza da produção musical vistas pelo viés brasileiro.

Daniela e Caetano no clipe de “Proibido o Carnaval”.

Também esteve presente em projetos sociais, como o Instituto Sol da Liberdade, criado por ela com o intuito de promover a educação pela arte. O instituto realiza, em parceria com a UNICEF e a ESPN Brasil, a Caravana da Música, projeto itinerante que leva dança, teatro e música para cerca de 3 mil crianças todos os meses. Suas ações solidárias são inúmeras. Daniela participou, em 2003, do show Solidariedade Brasil-Noruega em prol do Fome Zero no Teatro Nacional, em Brasília, e , em setembro de 2007, de uma campanha publicitária promovendo ajuda aos desabrigados pelo terremoto no Peru. Em 2013, a ONU a convidou para a campanha do Free & Equal (Livres e Iguais), projeto que luta contra a homofobia e a discriminação.

O convite da ONU vem porque , ao se separar de seu marido, Daniela assume a relação com a jornalista e amiga Malu Verçosa. Pouco depois elas lançam o livro “Daniela e Malu: Uma História de Amor”, considerado um símbolo na luta contra as violações de diretos humanos e pela igualdade de gêneros e respeito às diferenças. Desde então, a artista continua a difundir a arte como meio de transformação e valorização da cultura, unido à carreira também a causa LGBTQ+, da qual é um grande militante.

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Receba a indicação de leitura de Daniela Mercury, nossa curadora da Edição 19. Assinando o clube você recebe todo mês um livro,  um caderno com textos exclusivos, um marcador de página e uma caderneta de notas. Inscrições até dia 20 de agosto.
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