Na 15ª Edição da Panaceia, quem assume a curadoria é o jornalista, autor, tradutor e apresentador Eduardo Bueno, o nosso Peninha!

Completando 61 anos em 2019, sendo 43 deles dedicados ao trabalho com as palavras, Bueno é gaúcho e uma das principais referências em História do Brasil. Publicou vários livros na área, recebendo destaque por sua abordagem revisionista e pela linguagem fluida, características que levaram suas publicações a venderem centenas de milhares de exemplares. “A Coroa, a Cruz e a Espada”, “Brasil, uma história” e “Náufragos, Traficantes e Degredados” são alguns de seus livros de maior destaque. E, embora a coleção Terra Brasilis – sua parceria com a Editora Objetiva – seja um sucesso, Peninha também nutre uma veia artística formidável responsável por traduções e biografias sobre cultura pop.

Com pouco mais de vinte anos, em 1980, Eduardo Bueno trabalhava no jornal Zero Hora e, nas horas vagas, mergulhava na literatura e na música da época. Foi nesse mesmo ano que traduziu “On the Road”, o clássico beatnik do norte-americano Jack Kerouac e se tornou o grande fã de Bob Dylan que ainda é hoje. Também trouxe os autores William Burroughs e Allen Ginsberg para o português. Sua sede por cultura underground nunca atrapalhou seu interesse pelo Brasil e sua história.

Mais ou menos nessa época, Peninha e sua turma de amigos descobriram várias praias virgens no Rio Grande do Sul. Faixas de um litoral maravilhoso que ainda não tinham sido percebidas pelo mercado imobiliário, sem turistas ou quiosques por perto. Não demorou para que aqueles jovens batizassem essas praias como o paraíso particular deles na costa gaúcha, de maneira que o nudismo “tupiniquim” era liberado. Mas esse “tupiniquim” que eles achavam que viviam nada tinha a ver com os índios Tupiniquins de verdade, era só superficial. E quem descobriu isso foi o próprio Peninha, que teve um clique e foi procurar respostas para a pergunta de sua carreira: “Mas o que de fato aconteceu aqui antes de nós chegarmos?”.

A paixão pela História do Brasil começou ali. O jovem Eduardo Bueno descobriu que aquelas praias originalmente pertenciam aos índios Carijós, que o tráfico escravagista sequestrava e levava para São Paulo. Quanto mais pesquisava, mais se entusiasmava. O século XVI se tornou sua principal época de curiosidade. Não obstante, é esse o tema do vídeo de estréia do canal Buenas Ideias no Youtube. Criado em 2017, hoje o canal conta com mais de 400 mil inscritos, um número grande para um perfil de vídeos que vão desde a Revolução Farroupilha até Lampião e o Cangaço. Uma farta variedade de conhecimento que só poderia ser manejada e traduzida por uma pessoa como Peninha, cujo senso de humor e o talento para comunicar assuntos sérios de história e sociologia contribui para a formação de milhares de pessoas.

 

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