Um livro lançado pela Biblioteca Pública do Paraná refaz o percurso sentimental e estético de Paulo Leminski

Morto há 20 anos, o poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989) foi também compositor (tem músicas gravadas por Caetano Veloso, Moraes Moreira, Guilherme Arantes, Ney Matogrosso), tradutor, ator, romancista, colunista de jornal, publicitário, aríete cultural, provocador anarquista. Estabeleceu diálogos literários fecundos com autores como Augusto de Campos, Décio Pignatari, Boris Schnaiderman, Antonio Risério, Antonio Cícero, Haroldo de Campos.

Como autor, entretanto, fez chover na horta da poesia: quando lançou, em 1983, o livro Caprichos e Relaxos, conseguiu a façanha de vender poemas como quem vende pão de queijo – 5 mil exemplares em apenas 20 dias, 15 mil em dois anos (façanhas para a literatura em geral, fato lendário para a poesia). É um fenômeno de livrarias até hoje. Leminski ambicionou ampliar o público da poesia e buscou o caminho da música para realizar tal feito.

Quem foi Leminski, por onde andou, quem o instrumentalizou, o que disse de seu tempo e de seus antagonistas: essa perspectiva intimista perpassa o livro Roteiro Literário – Paulo Leminski, que o também poeta, compositor e romancista Rodrigo Garcia Lopes escreveu a convite da Biblioteca Pública do Paraná.

Misto de biografia, crítica e análise literária, coalhado de frases e depoimentos e se constituindo numa revisitação afetiva da trajetória de Leminski (Garcia Lopes chega a narrar o divertido primeiro encontro que teve com o autor, quando ainda era estudante, vociferando contra um livreiro pela ausência de seus livros nas estantes), o formato é diferente da biografia tradicional, mais envolvido.

O leitor vai encontrar não só toda a análise rigorosa da estrutura do texto de Leminski, do uso da logopeia, mas também saberá o que aconteceu com seus bares preferidos, o Bife Sujo, o Kapelle, o restaurante Tortuga, a churrascaria Botafogo, o Stuart, e quais foram extintos, como o Sal Grosso e o Saul Trumpet. Saberá dos baques que mais o afligiram na vida (como a morte do filho Miguel, aos 10 anos, de leucemia) e também uma narrativa de seus últimos momentos antes da morte, as últimas palavras, no Hospital Nossa Senhora das Graças.

Londrinense radicado em Florianópolis (SC), Rodrigo Garcia Lopes foi professor nos Estados Unidos e traduziu textos de Rimbaud, Marcial, Sylvia Plath e Walt Whitman. É autor, entre outros títulos, do romance O Trovador (2014) e do livro de poemas Experiências Extraordinárias (2015).

Roteiro Literário – Paulo Leminski. De Rodrigo Garcia Lopes. Selo editorial da Biblioteca Pública do Paraná. 180 págs.,

 

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