O mundo do trabalho é um assunto que permeia a vida de todas as pessoas, elas queiram ou não. Ele existe em forma de memória, como a primeira greve geral do Brasil, ou em forma de contato imediato, quando consumimos ou produzimos riquezas. É um tema que carrega todos os campos do conhecimento na tentativa de se atualizar constantemente frente as mudanças, que muitas vezes podem vir em forma de ameaça. No mundo contemporâneo, novas formas de trabalho surgiram a partir da globalização e do avanço das tecnologias, principalmente com a internet, e nem sempre dá para saber se ganhamos ou perdemos nesse processo.

Muitas pessoas acreditam que só existem vantagens no mundo atual. Como a facilidade de acessar serviços a partir dos smartphones, uma tecnologia que há apenas 9 anos atrás começava a surgir e que, hoje, é praticamente indispensável para milhões de pessoas. Mudanças como essa trouxeram novos paradigmas de produção, circulação e consumo, embora, também, impactos para o mundo do trabalho que muitos interessados no assunto trouxeram para o debate. Um deles é  o sociólogo Ricardo Antunes que, em conversa com a Panaceia, destacou que “o mundo do trabalho hoje é pautado por uma legislação social predatória”. E, ainda, no caso Brasil, que “é o pior momento desde a ditadura”.

A Edição 16 da Panaceia também trouxe outra perspectiva sobre o tema. O livro indicado pelo economista Ricardo Abramovay, “Uberização: a nova onda do trabalho precarizado”, do autor Tom Slee, propõem um debate interessante sobre o impacto da “economia do compartilhamento” em nossas vidas. Na conversa que tivemos com o autor, Slee fala sobre como a ideia de uma oferta de serviços baseada no compartilhamento, a fim de reduzir o consumismo – pra quê comprar se eu posso pegar emprestado? -, se transformou em ideologia para acobertar a acumulação bilionária e o sucateamento dos direitos trabalhistas por parte de grandes empresas como Airbnb e Uber. “Uma das táticas mais repetidas das companhias do Vale do Silício é reescrever leis e regras para se beneficiarem”, comenta. A nossa Edição 11 com o livro “Big Tech | a ascensão dos dados e a morte da política” também tratava do impacto do Vale do Silício no mundo contemporâneo, e o tema parece vir chamando a atenção de muitos autores e leitores.

Assim, nós decidimos trazer mais algumas sugestões para quem quiser mergulhar no assunto e compreender o mundo do trabalho hoje. E, como a Panaceia sempre gosta de fazer links e aumentar as sinapses, aqui você vai encontrar livros sobre a questão trabalhista no Brasil e no mundo.

 

“Mundos do trabalho”, de Eric Hobsbawm.

“A rebeldia do precariado”, de Ruy Braga.

“O ardil da flexibilidade”, de Sadi Dal Rosso.

“A Classe Trabalhadora”, de Marcelo Badaró.

 

 

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