“A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? Dos cafonas.”

Assim começa a última coluna de Fernanda Young, com o mesmo sarcasmo e agudeza que a transformaram num ícone da televisão brasileira. Morta neste domingo, 25 de agosto, a roteirista, escritora e apresentadora deixou a família, os amigos e muitos fãs desconsolados. Sua trajetória é marcada por grandes sucessos frutos de sua incessante paixão pelas artes.

Fernanda Young nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1 de maio de 1970. Sua carreira começa a partir de 1989, quanto estrela na minissérie “Iaiá Garcia”, da TV Cultura, e na novela “O dono do mundo”, da Rede Globo. Nesta última emissora, roteirizou o programa “A comédia da vida privada”, uma adaptação das crônicas do escritor Luis Fernando Veríssimo que ficou no ar até 1997. O humor dessas histórias e o êxito do projeto a levaram para o sitcom “Os Normais”, sucesso televisivo dos anos 2000. A série virou dois filmes, ambos roteirizados pela escritora que, no cinema, também assinou os filmes “Bossa Nova” (2000) e “Muito Gelo e Dois Dedos D’água” (2006).

Neste meio tempo, Fernanda publicou seu primeiro romance: “Vergonha dos pés”, no qual narra a vida de Ana, uma estudante de letras aspirante a escritora com uma imaginação curiosa. Assim como a personagem Ana, Fernanda também foi uma estudante de Letras. E também de jornalismo, mas largou ambos os cursos. A escrita a chamava de tal forma que somou, ao longo de sua vida, 14 livros publicados. “O Pau” e “A Mão Esquerda de Vênus” foram sucesso de venda, mostrando a habilidade de Fernanda em passar da prosa ao verso ainda mantendo sua dicção irreverente. “Pós-F”, de 2018, foi sua última obra publicada e a primeira no terreno da não ficção.

Essa versatilidade característica Fernanda mantinha não só como autora, mas também como apresentadora. Ao lado de Rita Lee, Monica Waldvogel e Marisa Orth apresentou entre 2002 e 2003 o programa “Saia Justa” e, e de 2006 a 2010, o “Irritando Fernanda Young”. Mais recentemente, participou como colaboradora da “TV Mulher” e escrevia as séries “Edifício Paraíso” e “Shippados”. Seu último projeto foi a peça “Ainda nada de novo”, uma narrativa interpretada por um casal lésbico em parceria com a atriz Fernanda Nobre e prevista para apresentação em setembro.

 

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