O quadrinista Ed Piskor, da Filadélfia, sabe que a mitologia pop é feita de imagens simbólicas. Os momentos que definem uma época geralmente cabem em uma foto, um olhar, e isso é particularmente válido para o gênero hip-hop, que ele esquadrinhou em dois álbuns formidáveis: “Hip Hop Genealogia” 1 e 2, lançados no Brasil pela Editora Veneta.

Piskor já havia se debruçado sobre a simbologia dos beatniks em “Os Beats”, com o lendário Harvey Pekar. Mas o que ele faz em “Hip Hop Genealogia” é um obsessivo mergulho na fusão de imagem e som, buscando o exato momento, por exemplo, em que pioneiros como Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash criaram seus hits memoráveis, “Planet Rock” e “The Message”.

Rappers, grafiteiros, DJs e B-Boys ganham uma cronologia de suma importância no cenário em que emergiram, a partir do fim dos anos 1970. Beastie Boys, Ice T, Public Enemy, LL Cool J, Notorious B.I.G. e mesmo os New Kids on the Block surgem em sua historiografia de um gênero com realismo e rigor de pesquisa.

“Ed Piskor uniu minhas duas paixões adolescentes. Seu livro é um trabalho minucioso, de precisão cirúrgica, feito com o amor e o talento que só um fã autêntico é capaz de dedicar ao objeto de sua admiração”, diz o rapper brasileiro Emicida, fã do gibi.

Hip Hop Genealogia 2, que é o lançamento deste mês, fechando o ciclo dos anos 1970 aos anos 1980, foi considerada uma das dez melhores graphic novels de 2013 pelo jornal The Washington Post. “Este documento, em forma de quadrinhos, aguça a consciência com a mesma força que as melhores letras de Mano Brown”, escreve o DJ e jornalista Ramiro Zwetsch, do site Radiola Urbana, no prefácio do álbum.

“Hip Hop Genealogia 1”. De Ed Piskor. Veneta, 2016. R$ 129.

“Hip Hop Genealogia 2”. De Ed Piskor. Veneta, 2019. R$ 129.

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