Na coletânea “Trinta e Tantos Livros Sobre a Mesa”, o jornalista paulista Haroldo Ceravolo Sereza cumpre a tarefa inglória de selecionar resenhas literárias que escreveu na imprensa diária, a maioria delas no Estado de S. Paulo e na Folha de S.Paulo, num período circunscrito, principalmente, na virada do século XX para o XXI. A ligeireza do trabalho diário demonstra-se pelo arco de autores alcançados, que vai de José Saramago, Carlos Fuentes, Mario Vargas Llosa e Lima Barreto a escritores que, merecidamente ou não, passaram feito chuvas de verão.
A reflexão principal constrói-se, assim, menos em torno dos cânones literários que dos desafios e limitações do jornalismo cultural. O jornalista debate-se entre a escassez de espaço e o compromisso de escrever textos mais que ligeiros, calcados no estudo minucioso de cada tema posto na mesa. A preocupação com a literatura marginal, por um lado, e com o advento de novos autores, de outro, demonstra prioridades que atravessam as unanimidades e tentam colaborar na construção do futuro possível. Misturam-se, como que despriorizados (usemos a ordem alfabética), Ferréz, J.K. Rowling, Jens Peter Jacobsen, Johan Christian Friedrich Hölderlin, Gabriel García Márquez, José Geraldo Vieira, Kazuo Ishiguro, Marie Darrieussecq, Menalton Braff, Milton Hatoum, Nelson Rodrigues, Patrícia Melo, Paul Auster, Salman Rushdie, Victor Hugo… A tensão entre o perene e o efêmero percorre tudo, e nunca se resolve.

“Trinta e Tantos Livros Sobre a Mesa”. De Haroldo Ceravolo Sereza, Editora Oficina Raquel

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