Cildo Meireles é conhecido internacionalmente por seu trabalho pioneiro com instalações e performances. Além de ser um dos fundadores da Unidade Experimental do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e de fazer parte do acervo fixo do gigante museu aberto Inhotim, suas obras já estiveram no Tate de Londres, no Palácio de Velázquez em Madrid e rodando por aí mundo afora em todos os formatos possíveis e imagináveis.

No cenário do que se convencionou chamar arte contemporânea, o trabalho de Cildo ocupa um lugar de destaque, o que explica a dedicação de tempo e pesquisa de Diego Matos e Guilherme Wisnik, organizadores de Cildo: Estudos, Espaços, Tempo.

Publicado pela Editora Ubu em três línguas, o livro pretende ser a mais abrangente monografia de Cildo Meireles já publicada e fornece uma seleção de textos que marcam toda a obra do artista e seu processo de reconhecimento, além de estruturas teóricas para que o leitor, assim como quando ao vivo, possa participar e reinterpretar o conjunto essencial de seus trabalhos.

Cildo tem como mote a noção de espaço e suas implicações na experiência do público, uma vez que o trabalho criativo deste incontível artista se baseia largamente na ideia da irreprodutibilidade. Em outras palavras, o que o espaço e o tempo, que caminham junto à experiência, exercem sobre uma obra viva e mutável.

Marulho (1991-1997)

E sendo este um conjunto tão irrequieto de peças, nada mais justo que aproveitá-lo para pensar a própria função da arte, ou seja, a arte como mecanismo de apreensão de experiências e consequente revisão da vida em toda sua subjetividade. Eis a porta de entrada para a obra de Cildo Meireles, artista que, ainda em atividade, possui a chance de estudar e reviver processos de experimentação. É aqui que entra a primeira parte do subtítulo do livro: os estudos.

Muitas das obras de Cildo Meireles  se encontram neste formato estranhamente agradável e sofisticado de cálculos e esboços finamente decifrados. Seriam eles a forma de reentrar e reentender o caos da contemporaneidade? A noção de estudo inclui tanto a ideia de um rascunho ou projeto a tomar forma, como a de um trabalho que se realiza plenamente enquanto exercício hiper sofisticado sobre temas conhecidos ou variações de técnica. Como diz Frederico Morais, estas peças-estudo não são somente atividades-fim, mas também atividades-meio, “instrumentos preparatório de outras formas de expressão, mas que conserva uma autonomia como pensamento.”

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Para todos que tiverem vontade de mergulhar de cabeça nesta infinita montanha russa que é a arte contemporânea, tão complexa quanto interessante e necessária, esta é uma publicação que se dedica inteiramente à obra de um artista que, por sua vez, dedicou-se aos estudos das matérias primordiais da vida e do caos que se depreende delas. 

Cildo: estudos, espaços, tempo, editora UBU

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