O filósofo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco (1932-2016), um dos maiores intelectuais do século XX, se desafia a investigar, em “A Busca da Língua Perfeita na Cultura Europeia” (Editora Unesp), se já houve algum dia uma língua originária. A questão, que atravessou gerações e gerações, não é menor. Por que os homens teriam se preocupado em criar outros idiomas, um “empreendimento fadigoso”, se existisse uma precedente capaz de expressar todas as coisas do universo? Para ele, a explicação é que não foram inventadas novas línguas na Europa – e também no resto do mundo -, mas todas elas seriam resultado da fragmentação de uma única língua que existia desde o ínicio (ab initio, em latim).

Eco iniciou seus estudos em busca das línguas perfeitas no fim dos anos 1980. Passeando por autores como Dante, Descartes, Rousseau e Leibniz, o escritor não se furta a debater do hebraico ao aimará, do inglês a línguas internacionais, como o esperanto. E conclui: “Uma Europa de poliglotas não é uma Europa de pessoas que falam corretamente muitas línguas, mas, no melhor dos casos, de pessoas que se podem encontrar falando cada uma a própria língua e entendendo a do outro”.

 

“A Busca da Língua Perfeita na Cultura Europeia”. De Umberto Eco. Editora Unesp, R$ 62.

 

 

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